Prevenir a Gripe A nas Empresas

Julho 27, 2009

A Primus Care está a promover junto de empresas e instituições blocos formativos que apostam em metodologias práticas capazes de motivar a adesão a comportamentos preventivos de forma a impedir a propagação do vírus da Gripe A. As acções tem a duração de 90 minutos e estão programadas para grupos de 16 formandos.

Actualmente, mais de 230 casos de Gripe A (H1N1) foram confirmados. Na maioria dos casos, a doença já foi tratada e as pessoas retomaram as suas vidas. Não havendo razão para alarme, o Ministério da Saúde solicita uma atenção redobrada e recomenda que toda a comunidade, incluindo as empresas, adopte comportamentos que travem a transmissão do vírus.

Sabe-se que o risco de contaminação aumenta com o número de contactos sociais efectuados, sobretudo se for em locais fechados e se não forem cumpridas regras básicas de higiene. As temperaturas quentes do Verão, assim como o período de férias, que tem limitado os contactos sociais, são factores que contrariam a disseminação do vírus. Dentro de 2 meses as temperaturas começam a baixar e dá-se o fim das férias e o natural regresso ao trabalho e à escola. Quer isto dizer que dentro de 2 meses o risco de contrair a doença está substancialmente aumentado e garantidamente o número de casos!

Cada um de nós individualmente tem responsabilidades no respeito pelo exercício de comportamentos preventivos. As Instituições e Empresas têm a responsabilidade de promover medidas de controlo e prevenção. À Primus Care, através da sua empresa de formação Learn&Care, que tem como objectivo a educação para a saúde, cabe a responsabilidade de disponibilizar respostas simples e eficazes que possibilitem o estabelecimento de estratégias, que através de metodologias práticas, motivem e promovam uma adesão às boas práticas.

Ajudas para travar a Dor

Junho 16, 2009

Imagine o que é viver o seu dia-a-dia, executar as suas tarefas diárias, como o alimentar-se, o vestir-se, o andar, o trabalhar, sistematicamente com dores…! Infelizmente, há muitas pessoas que vivem diariamente assim. Actualmente, cerca de uma em cada dez pessoas sofre de dor crónica, sendo esta de tal intensidade que leva a pessoa a uma procura de cuidados específicos neste âmbito. O sofrimento e a redução da qualidade de vida que causa, provoca alterações na pessoa que vão contribuir para o aparecimento de co-morbilidades orgânicas e psicológicas e podem conduzir à perpetuação do fenómeno doloroso.

No dia 14 de Junho, comemora-se o Dia Nacional da Luta contra a Dor, como forma de sensibilizar a população em geral para o facto da dor não ter de ser considerada como uma fatalidade e como forma de alertar para o facto de o seu tratamento ser um direito a assumir por todos.

Desta forma, existe em Portugal desde 2001 o Plano Nacional da Luta contra a Dor, que pretende normalizar uma abordagem abrangente dos serviços prestadores de cuidados de saúde junto das pessoas que sofrem de dor aguda ou de dor crónica, promovendo o seu adequado diagnóstico e tratamento.

Em Portugal, não existem dados que permitam fazer uma análise rigorosa da situação do número total de pessoas com dor crónica; contudo, de acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), estudos epidemiológicos realizados noutros países europeus permitem concluir que cerca de 40% da população europeia sofre ou sofreu de dor crónica. A dor crónica mais frequente é, de acordo com os mesmos estudos, a que resulta de lesões musculo-esqueléticas da região lombar, e a que está associada às doenças osteoarticulares.

Contudo, para além das técnicas farmacológicas para o alívio da dor e do acompanhamento que deve ter juntamente dos técnicos de saúde, existem outras formas para alívio da dor e consequente melhoria da sua qualidade de vida.

As medidas não farmacológicas no tratamento da dor podem ter uma acção benéfica e deveriam ser consideradas de rotina. (Cavalieri, 2006). Este tipo de medidas envolvem técnicas de autocontrolo da dor, e prendem-se essencialmente com: relaxamento (diminui a tensão muscular e a dor subsequente); o planeamento de actividades que consiga executar, e lhe promovam o sentimento de que é capaz e de que pode controlar a sua vida; a execução de técnicas de distracção (focando a sua atenção em algo que não seja a dor, como por exemplo, ouvir música); a adopção de uma atitude positiva face à vida, em detrimento de pensamentos negativos, que pode ajudar a ultrapassar a dor e as dificuldades sentidas.

Pode também recorrer a terapias físicas, que estimulam o sistema supressor de dor, como a massagem, ou a aplicação do calor/ frio.

Para além de todos estes métodos, existem ainda Ajudas Técnicas às quais pode e deve recorrer, no sentido de ajudá-lo na execução das suas actividades de vida diárias. Por exemplo, se tem dificuldade em sentar/levantar, existem Barras de Apoio que pode colocar na Casa-de-banho, de forma a que com menos dor, e com menor risco de queda, possa realizar essa actividade. Existem ainda Auxiliares de Marcha (andarilho, canadianas, bengala, entre outros), essenciais para algumas pessoas na actividade andar, que podem tornar o caminhar em algo menos doloroso. Na escolha do auxiliar de marcha mais eficaz, é importante ter a opinião de um profissional de saúde, de forma a avaliar o mais adequado para a sua situação específica.

Para a actividade da higiene, nomeadamente o tomar banho, existem Cadeiras Rotativas que se inserem na banheira, e permitem realizar um esforço menor, diminuindo assim a dor que possa sentir e os riscos de complicações que podem advir, como por exemplo, as quedas.

Desta forma, é importante que conheça e reconheça que existem ajudas que podem incluir recursos humanos e /ou materiais (equipamentos que facilitam a realização das actividades de vida diárias e, consequentemente, reduzem a dor sentida na execução dos mesmos). Se necessário, e sempre que essa necessidade seja identificada, é ainda possível disponibilizar de adaptação de instalações de forma a melhorar as condições de segurança e acessibilidade de cada pessoa.

Estas ajudas têm sempre o intuito de promover ao máximo a sua independência e, assim, tornar a sua vida mais confortável.

E lembre-se… “dor é tudo o que a pessoa que a sente refere que é, e existe sempre que ela diz que existe” (McCaffery, 1989). Deve criar as suas próprias estratégias para lidar com a dor, recorrendo sempre que necessário a recursos e ajudas técnicas externas… porque a sua qualidade de vida e o seu bem-estar é o mais importante!

Primus Care Ajudas

www.primuscareajudas.com

Primus Care na Saúde Portugal Expo e Conferências e Viver Saúde 2009

Maio 28, 2009

A partir de hoje pode ser visitado o stand da Primus Care no certame Saúde Portugal Expo & Conferências no Centro de Congressos do Estoril. Vai ser dado um especial destaque às Ajudas Técnicas que facilitam as rotinas diárias de doentes e seus familiares. A partir de dia 29 e até dia 31 de Maio vai ser possível também visitar o stand da Primus Care na FIL, onde decorrerá o Viver Saúde 2009 – Salão Internacional de Beleza e Bem-Estar e onde as Ajudas Técnicas estarão também em destaque. O visitante terá a oportunidade de conduzir uma scooter eléctrica de 4 rodas contornando uma série de obstáculos e compreender como é que uma scooter pode ser uma ajuda tão importante para pessoas com mobilidade reduzida.

Na Primus Care uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde proporciona um conjunto completo de cuidados de saúde domiciliários, com especial incidência nos cuidados paliativos, geriátricos e de reabilitação. Em articulação com o serviço de apoio domiciliário, funciona o serviço de Ajudas Técnicas, que mais do que a simples comercialização de artigos, é também um serviço de aconselhamento e consultoria que proporciona a solução ideal e personalizada para cada caso.

Com a participação nestes dois certames a Primus Care pretende divulgar os seus serviços junto do público em geral, mas também junto dos profissionais de saúde, já que os serviços no domicílio garantem a continuidade dos cuidados necessários após a alta hospitalar.

 

Horários:

Saúde Portugal Expo e Conferências

De 28 a 31 de Maio – das 10 h às 20 horas

Viver Saúde 2009 – Salão Internacional de Saúde e Bem-Estar   

Dia 29 – das 15h às 23 horas

Dias 30 e 31 – das 10h às 19 horas

Ajudas à Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica

Maio 12, 2009

Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica…duas doenças distintas, que têm em comum o facto de serem de causa desconhecida, não terem cura e, pior que tudo, serem incapacitantes e diminuírem a qualidade de vida de qualquer pessoa… são causadoras de dores musculares e de fadiga intensa, de tal forma, que a pessoa se vê incapacitada de realizar as suas actividades de vida diárias tal como antes.

O simples levantar, vestir, tomar banho, pode ser encarado como um verdadeiro desafio diário para as pessoas com qualquer destas doenças.

Dia 12 de Maio é o Dia Mundial da Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica. Como tal, ficam aqui alguns conselhos e sugestões relativas a ajudas técnicas para que as pessoas portadoras destas doenças consigam ultrapassar melhor as dificuldades e os desafios que, diariamente se lhes apresentam… e assim consigam efectivamente, VIVER!

A Fibromialgia é uma doença que se manifesta por dor musculo-esquelética generalizada e sensibilidade à palpação de determinados pontos anatómicos, sendo uma dor que pode ser descrita como queimadura.

A dor crónica, sono não repousante, rigidez matinal e fadiga são sintomas frequentes, que resultam em perda de capacidade funcional por parte da pessoa. Até agora, não existe cura para a fibromialgia, sendo que os objectivos do seu tratamento são restaurar o sono e reduzir a dor. Como tal, pode ser necessário um acompanhamento multidisciplinar médico, de enfermagem, fisioterapia, psicológico, para que consiga viver o melhor possível com as suas limitações, melhorando a sua qualidade de vida.

Antes de mais, para além do tratamento farmacológico, essencial no controlo da dor, o exercício é outra modalidade importante no tratamento, dado que exercícios de alongamento, fisioterapia e massagem podem ajudar no relaxamento, redução da fadiga e melhoria das condições gerais. Muitas vezes é benéfico que tal acompanhamento seja realizado no domicílio, dado que mais facilmente os profissionais identificam problemas e sugerem estratégias para que, na sua casa, seja o mais autónomo possível, e consiga realizar as suas actividades de vida diárias.

Da mesma forma, a síndrome de fadiga crónica (SFC) é uma doença de causa desconhecida, sem cura, em que a pessoa apresenta fadiga extrema, que aparece de repente e acaba por se tornar incapacitante.

Manifesta-se por sintomas como mialgias (dores musculares), cefaleias (dores de cabeça), desconforto nas articulações e sensibilidade nos nódulos linfáticos.

Actualmente o tratamento incide na toma de fármacos, benéficos na redução das dores. De igual forma, é essencial a realização de exercício (o que pode ser contraditório na presença de fadiga), que melhora a condição e utilização de energia e pode mesmo restaurá-la. Para que seja eficaz é necessário que seja programado um programa individual de exercício, que incorpore o aumento gradual de intensidade, em que a fadiga não seja ainda mais exacerbada na pessoa. Assim, pode também ajudar a intervenção de uma equipa multidisciplinar especializada, que tenha formação em diversas áreas, para que possa superar mais facilmente os desafios do dia-a-dia, e para que a sua qualidade de vida melhore.

Para além dos sintomas que as pessoas sentem diariamente, estas doenças podem ter consequências graves na vida social, profissional e familiar: a pessoa deixa de conseguir realizar as tarefas simples que antes executava sem qualquer dificuldade. o apoio de profissionais especializados à família e doente é uma ajuda bastante importante para ultrapassar as dificuldades presentes.

Estes são especializados para avaliar cada situação, fornecendo informação e recomendando a ajuda mais adequada, sendo que estas ajudas podem incluir recursos humanos e /ou materiais, equipamentos que facilitam a realização das actividades de vida diárias, ou que reduzem a sua fadiga.

São exemplo as barras de apoio de sanita e os bancos de banheira giratórios: estes previnem as quedas e fracturas decorrentes das limitações físicas e da dor inerente à doença. Da mesma forma, artigos como andarilhos e andadeiras compensam as dificuldades de mobilidade, e almofadas e colchões de conforto promovem o bem-estar durante o sono tão dificil de ser relatado como prazeiroso por estes doentes.

Se necessário, e sempre que essa necessidade seja identificada, é ainda possível disponibilizar de adaptação de instalações de forma a melhorar as condições de segurança e acessibilidade de cada pessoa.

Estas ajudas têm sempre o intuito de promover ao máximo a sua independência e, assim, tornar a sua vida mais confortável: mesmo com uma doença crónica e sem cura, é possivel Viver Tranquilo, Viver Melhor!

Primus Care Ajudas
www.primuscareajudas.com

Vigie a sua tensão arterial

Abril 23, 2009

A hipertensão arterial (HTA) é o principal factor de risco para as doenças cardiovasculares, nomeadamente para a ocorrência de acidente vascular cerebral e para a doença isquémica do coração.

A hipertensão arterial afecta milhões de pessoas com uma diferença notória conforme a origem étnica. Por exemplo, nos Estados Unidos, onde afecta mais de 50 milhões de pessoas, 38 % dos adultos negros sofrem de hipertensão, em comparação com 29 % de brancos.

Nos países desenvolvidos, calcula-se que só se diagnostica esta perturbação em dois de cada três indivíduos que dela sofrem, e só 75 % deles recebem tratamento farmacológico, e este só é adequado em 45 % dos casos.

Estudos efectuados à população portuguesa, em 2004, revelaram que a prevalência (número de casos existentes) de HTA é de 43,7%. A nível regional, verifica-se uma menor prevalência no Norte, sendo que a mais alta é registada na região do Alentejo. Relativamente ao género, a HTA é mais frequente nos homens do que nas mulheres em todos os grupos etários, à excepção dos idosos com mais de 75 anos de idade. Contudo, os estudos revelaram ainda que, dos hipertensos encontrados, apenas 46,1% conheciam a sua situação.

Torna-se, assim, essencial compreender o que é a hipertensão arterial, para que a possamos detectar e para que seja procurada assistência médica e de enfermagem com o objectivo de controlar os valores tensionais e, assim, reduzir o risco de aparecimento das doenças cardiovasculares.

E o que é a tensão arterial? Porque é que surgem dois valores diferentes? Que significa cada valor? Efectivamente, quando se mede a pressão arterial, registam-se dois valores. O mais elevado (tensão sistólica) produz-se quando o coração se contrai (sístole) e o sangue é bombeado para todo o corpo; o mais baixo (tensão distólica) corresponde ao relaxamento entre um batimento e outro (diástole).

A pressão arterial elevada define-se como uma pressão sistólica em repouso superior ou igual a 140 mm/Hg, uma pressão diastólica em repouso superior ou igual a 90 mmHg, ou a combinação de ambas. Na hipertensão, geralmente, tanto a pressão sistólica como a diastólica estão elevadas.

A elevação da pressão nas artérias pode dever-se a vários mecanismos. Por exemplo, o coração pode bombear com mais força e aumentar o volume de sangue em circulação. Outra possibilidade é que as artérias percam a sua flexibilidade normal e se tornem rígidas, de modo a não poderem expandir-se quando o coração bombeia sangue através delas. Por esta razão, o sangue proveniente de cada batimento vê-se forçado a passar por um espaço menor do que o normal e a pressão aumenta. A pressão arterial aumenta também de forma similar quando ocorre vasoconstrição (quando as artérias mais pequenas se contraem temporariamente pela estimulação dos nervos ou das hormonas circulantes). Por último, a pressão arterial pode aumentar se se incrementar o afluxo de líquido ao sistema circulatório. Esta situação verifica-se quando os rins funcionam mal e não são capazes de eliminar sal e água em quantidade suficiente. O resultado é que o volume de sangue aumenta e, como consequência, aumenta a pressão arterial.

Para cerca de 90% das pessoas com pressão arterial elevada, a causa é desconhecida. Essa situação denomina-se hipertensão essencial ou primária, e surge provavelmente devido a uma combinação de diversas alterações no coração e nos vasos sanguíneos. Quando a causa é conhecida, é denominada hipertensão secundária. Entre 5 % e 10 % dos casos de hipertensão arterial têm como causa uma doença renal, e entre 1 % e 2 % têm a sua origem numa perturbação hormonal ou no uso de certos fármacos, como os anticonceptivos orais.

Regra geral, nos primeiros anos, a hipertensão arterial não provoca quaisquer sintomas, à excepção de valores tensionais elevados, os quais se detectam através da medição da pressão arterial. Em alguns casos, a hipertensão arterial pode, contudo, manifestar-se através de sinais como a ocorrência de cefaleias, tonturas ou um mal-estar vago e difuso, que são comuns a muitas outras doenças. Com o decorrer dos anos, a pressão arterial acaba por lesar os vasos sanguíneos e os órgãos vitais (o cérebro, o coração e os rins), provocando sintomas e sinais de alerta vários.

Contudo, a ausência de quaisquer sintomas durante a fase inicial da doença faz da medição regular da tensão arterial um hábito a seguir. Todos os adultos, em particular os obesos, os diabéticos e os fumadores ou com história de doença cardiovascular na família, devem medir a sua pressão arterial pelo menos uma vez por ano, se ela se encontrar dentro dos parâmetros normais (Fundação Portuguesa de Cardiologia).

A obesidade, um hábito de vida sedentária, o stress e o consumo excessivo de álcool ou de sal, a má alimentação, o tabagismo e o stress são factores de risco no aparecimento da hipertensão arterial em pessoas que possuem uma sensibilidade hereditária. Desta forma, a adopção de um estilo de vida saudável constitui a melhor forma de prevenir a ocorrência de hipertensão arterial. Reduza a ingestão de sal na alimentação; privilegie uma dieta rica em frutos, vegetais e com baixo teor de gorduras saturadas; pratique exercício físico de forma regular; modere o consumo de álcool; diminuía ou deixe mesmo de fumar; no caso de indivíduos obesos é aconselhável uma redução de peso.

Não existe uma cura efectiva para a hipertensão arterial. Contudo, apesar de ser uma doença crónica, na maioria dos casos é controlável. A adopção de um estilo de vida saudável proporciona geralmente uma descida significativa da pressão arterial. Desta forma, não hesite: faça o rastreio. Estudos efectuados em Portugal demonstram que apenas 39% dos hipertensos se encontram tratados e apenas 11,1% têm a tensão arterial controlada. Não seja mais uma vítima desta doença silenciosa, que pode ser mortal; não faça parte destas estatísticas assustadoras: cuide da sua saúde!

Este artigo foi elaborado pela Enf. Paula Caetano, Enfermeira Colaboradora da Primus Care, para o  site ajudas.com

Estratégias para atenuar a dor

Fevereiro 16, 2009

Actualmente, cerca de 1 em cada 10 pessoas sofre de dor crónica, sendo esta de tal intensidade que leva a pessoa a uma procura de cuidados específicos neste âmbito. Contudo, embora o possamos pensar, este facto não é uma consequência inevitável do envelhecimento, e das doenças que daí decorrem, dado que existe um grande número de pessoas mais novas, que sofrem mais vezes de dores fortes do que a população idosa (Direcção Geral da Saúde – DGS, 2001). Não obstante, é também um facto que nos idosos, as alterações nos vários tecidos, ossos, músculos, e órgãos podem afectar os processos básicos de funcionamento do corpo. Consequentemente, algumas destas alterações podem causar dor, afectando assim a saúde e a qualidade de vida da pessoa idosa. Desta forma, há que adoptar estratégias (para além das ditas farmacológicas), de forma a minimizar ao máximo o desconforto e sofrimento que é sentido aquando do aparecimento da dor.

 

São várias as definições de dor que nos são apresentadas na literatura. Em 1979, a Healthcare Research and Quality definiu dor como sendo “uma sensação e emoção desagradável sentida e associada ao dano tecidular actual ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”. Outra definição habitualmente mobilizada no conceito de dor é a de McCaffery e Beebe (1989), que referem que “dor é tudo o que a pessoa que a sente refere que é, e existe sempre que ela diz que existe”, o que nos reporta para a dor como um fenómeno que envolve a componente subjectiva e o reconhecimento da pessoa como o melhor juiz da sua própria experiência de dor. Eu enfatizo particularmente esta última definição, dado que muitas vezes, as pessoas que têm dor são “julgadas”, com juízos de valor de que aparentemente, estão bem e não apresentam qualquer tipo de dor. Contudo, cada pessoa cria estratégias para lidar com a dor, sendo que algumas a manifestam exteriormente mais que outras, o que nos leva a deduzir que a dor deve ser avaliada pela própria pessoa.

 

Sabe-se que a dor está relacionada não só com os fenómenos neurais (como a sensibilização do sistema nervoso central que nos dá a informação que estamos a sentir dor), como também com os factores psicológicos (base cultural, a experiência prévia, as crenças e o ambiente social, as atitudes e expectativas dos doentes face à dor, o sexo, a personalidade e o estado emocional de cada pessoa) e sociais.

Neste sentido, e a título de curiosidade, saiba que actualmente, existem novas tecnologias que se encontram a ser desenvolvidas de forma a avaliar mais precisamente a dor. Foi desenvolvido recentemente um novo programa informático no Reino Unido, que mobiliza um modelo do corpo humano a três dimensões, com um código de cores indicado para cada tipo de dor. Assim, a informação relativa à dor é compilada e gravada num computador pelo utente, o que permite criar registos diários dos sintomas, e enviá-los à equipa multidisciplinar através da internet (evitando a deslocação da pessoa à unidade de saúde). Este software permite, assim, avaliar a evolução e o tipo de dor, o que facilita não só o diagnóstico, como também a eficácia do planeamento das intervenções a nível multidisciplinar (Caseiro, in Sábado, 2006).

As medidas não farmacológicas no tratamento da dor podem ter uma acção benéfica e deveriam ser consideradas de rotina. (Cavalieri, 2006). Este tipo de medidas envolvem técnicas de autocontrolo da dor que devem ser efectuadas por si.

  • Relaxe. A tensão muscular agrava a dor que está a sentir.
  • Programe actividades. Ao diminuir progressivamente as actividades, aumenta a fixação nas sensações físicas e a exacerbação da dor, o que leva a sentimentos de desespero e perda da autonomia. O planeamento de actividades e o seu envolvimento promovem o sentimento de que é capaz e de que pode controlar a sua vida.
  • Execute técnicas de distracção. Foque a sua atenção em algo que não seja a dor, como por exemplo, ouvir música, ver televisão, ler.
  • Pense positivo. Uma atitude positiva face à vida, em detrimento de pensamentos negativos, pode ajudar a ultrapassar a dor e as dificuldades sentidas.

Para além destas técnicas não farmacológicas, existem ainda as terapias físicas, que estimulam o sistema supressor de dor. A massagem é um exemplo de uma terapia física, e pode ser bastante eficaz na minimização da dor, dado exercer efeitos a nível circulatório, neuromuscular, metabólico e reflexo. No caso concreto dos idosos, a automassagem pode abranger o pescoço os ombros, mas as costas terão de ser massajadas por outra pessoa. O ambiente deverá ser calmo e ter uma temperatura confortável. No caso da pele se encontrar seca, poderá ser aplicado algumas gotas de gel/creme ou de óleo de bebé, de forma a facilitar a massagem (DGS, 2001).

 

Outra terapia física que se pode tornar bastante eficaz é a aplicação do calor/ frio. As terapias que mobilizam o calor (termoterapia) e o frio (crioterapia) não levam à cura de nenhuma doença; contudo, são instrumentos importantes que auxiliam no tratamento de várias patologias ortopédicas e neurológicas.

 

O calor tem como principais efeitos terapêuticos o alívio da dor, através do aumento do fluxo sanguíneo, da diminuição da rigidez das articulações, e da estimulação das terminações nervosas cutâneas, que podem alterar a percepção da dor. Em casa, pode usar bolsas de água quente nos locais a serem tratados, na frequência de 3 vezes ao dia, durante 20 a 30 minutos (DGS, 2001).

 

O frio tem como principais efeitos terapêuticos a diminuição do espasmo muscular e a prevenção de edema e de reacções inflamatórias, o que provoca o alívio da dor. No tratamento pelo uso do frio, deve embrulhar um pedaço de gelo num pano, colocando-o sobre a área dorida, até a pele ficar dormente (não mais que durante 5 minutos, de forma a não sofrer uma queimadura pelo frio) (DGS, 2001).

 

De igual forma, a aplicação de frio pode ser realizada no lado oposto à dor sentida (por exemplo, se sente dor no joelho direito, deve aplicar frio no joelho esquerdo), o que faz com que esta diminui. Tal ocorre dado que a aplicação de gelo no lado oposto à dor faz com que haja uma “competição” de estímulos, e diminui o estímulo da dor (Phipps, 2003).

 

Estas são estratégias que pode e deve utilizar, com o intuito de diminuir a dor e aumentar a sua qualidade de vida.

 

Este artigo foi elaborado pela Enf. Raquel Espadaneira, Enfermeira Colaboradora da Primus Care, para o  site ajudas.com


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